Um estudo da iPullRank analisou 13,1 bilhões de eventos de busca no Google, de outubro de 2024 a dezembro de 2025, e encontrou uma taxa global de 46,96% de buscas que terminam sem clique algum (o chamado zero-click). O número vem subindo, mas varia muito por país, aparelho e tipo de busca. Isso não quer dizer que o tráfego está sumindo. Quer dizer que ele está se espalhando por mais telas antes de qualquer clique acontecer.
Se você administra um negócio e depende de aparecer bem no Google, esse dado é importante, mas a forma como ele costuma ser resumido (“quase metade das buscas não gera clique”) esconde mais do que explica. Vamos direto ao que interessa: o que está por trás do número e o que fazer com ele.
O que é zero-click e o que o estudo realmente mediu
Zero-click é toda busca em que a pessoa lê a resposta direto na página de resultado do Google (num resumo gerado por IA, num painel de conhecimento, numa resposta rápida) e não clica em nenhum link. O estudo usou dados de um painel de comportamento real (9,1 milhões de usuários, 10,2 bilhões de sessões), não uma amostra estimada, e definiu zero-click como sessão sem nenhum clique registrado.
Vale registrar que esse número varia conforme quem mede: a SparkToro fala em algo perto de 60%, a Similarweb em algo perto de 37%. A própria iPullRank é transparente sobre isso: não existe um “número oficial” de zero-click, existe uma definição de metodologia, e cada estudo mede de um jeito. O dado de 46,96% é o mais recente e o com maior amostra entre eles.
Por que a taxa de zero-click está subindo
Entre outubro de 2024 e dezembro de 2025, a taxa de zero-click subiu 2,6 pontos percentuais, com aceleração no fim do período (2,9 pontos na comparação dezembro contra dezembro). A janela coincide com o momento em que o próprio Google anunciou a expansão dos AI Overviews para mais de 100 países, a partir de outubro de 2024. O estudo não afirma causalidade direta, mas a coincidência de datas é difícil de ignorar.
O detalhe que muda a leitura: 86% dos cliques são descoberta, não navegação
Um dos achados mais úteis do estudo é este: 86% dos cliques que acontecem no Google vão para sites que a pessoa não citou pelo nome na busca. Só 14% são navegacionais (a pessoa já sabia pra onde queria ir e só usou o Google como atalho).
Isso muda a leitura do zero-click. A maior parte do que resta de clique no Google ainda é descoberta de marca nova, não confirmação de marca conhecida. E tem outro detalhe que reforça isso: uma busca pelo nome da própria marca tem 1,3 vezes mais chance de terminar em clique num anúncio pago do que uma busca genérica (4,4% contra 3,3%). Ou seja, até marca que já ranqueia bem organicamente segue pagando anúncio pra defender o próprio nome na primeira posição.
ChatGPT é destino, não substituto, e paga o Google por tráfego
Um dos pontos mais contraintuitivos do estudo: o ChatGPT já é o sexto destino mais buscado dentro do próprio Google, atrás só de YouTube, o próprio Google, Reddit, Facebook e Wikipedia. E mais: 4,75% dos cliques que saem do Google pro ChatGPT são cliques em anúncio pago, a maior proporção entre todos os destinos grandes analisados (Wikipedia tem 0%, YouTube tem 0,2%).
Na prática, isso confirma algo que já tínhamos levantado aqui na Tita Mkt Digital quando analisamos o crescimento de 197% do tráfego de IA generativa: a IA generativa não está substituindo o Google, está se tornando mais um destino dentro dele, do mesmo jeito que o YouTube é. A própria OpenAI compra tráfego do Google pra levar gente até o ChatGPT. Isso também é coerente com o que já vemos no comportamento de quem anuncia no ChatGPT Ads no Brasil: a disputa por atenção não saiu do Google, ela ganhou mais uma camada em cima.
Quem resiste à interceptação do Google, e quem sofre mais
O estudo também mediu quanto de cada busca “destinada” a um site específico o próprio Google intercepta antes do clique (respondendo direto no resultado, sem a pessoa precisar sair da página). Aqui os dados chamam atenção:
| Destino | % de buscas interceptadas pelo Google |
|---|---|
| Wikipedia | 30,5% |
| IMDB | 33,4% |
| Amazon | 16,6% |
| 16,5% | |
| 14,2% | |
| GitHub | 12,7% |
| ChatGPT | 11,1% |
Wikipedia e IMDB sofrem mais porque o conteúdo deles é enciclopédico e fácil de resumir num painel. Reddit sofre menos porque o valor dele é a opinião real de gente real, algo que o Google ainda não consegue sintetizar sozinho sem perder o que faz a fonte valer a pena.
Esse é um ponto que já defendemos como método aqui na agência: menção de terceiro (avaliação no Google Meu Negócio, comentário num fórum, comparativo, discussão real) resiste mais à interceptação do que conteúdo institucional sozinho, porque ninguém confia só no que uma marca fala sobre si mesma, nem o Google, nem a IA.

O que isso muda pra quem vende no Brasil: o que vemos no nosso próprio site
O dado do estudo é global, mas o comportamento também aparece na nossa própria operação. No Marco Zero de SEO e GEO que fizemos aqui na Tita Mkt Digital em agosto de 2026, o Google Analytics já mostra um canal separado chamado “Assistente de IA”, ainda pequeno (poucas sessões no período), mas real. É gente chegando no nosso site depois de perguntar pra uma IA, não só citação sem clique. É o mesmo padrão que o estudo descreve em escala global, só que dentro do nosso próprio case.
E o dado dos cliques pagos reforça outro ponto: no período do estudo, o clique orgânico caiu cerca de 2,8 pontos percentuais, mas o clique pago não mudou. Quem já roda tráfego pago não perdeu espaço com o avanço da IA generativa. Perdeu espaço quem depende só do orgânico e não tem outra frente rodando ao lado.
Esse detalhe merece um artigo à parte: se vale a pena continuar investindo em Google Ads com a IA generativa crescendo, com o que muda na estratégia de quem já roda campanha.
Como aplicar isso na prática
- Pare de medir só clique e posição. Meça também presença: se sua empresa aparece bem no Google Meu Negócio, em comparativos do seu nicho e em fóruns onde seu público discute, porque esse tipo de conteúdo resiste mais à interceptação do que página institucional sozinha
- Proteja a busca de marca com anúncio, mesmo ranqueando bem organicamente. O estudo mostra que quem busca sua marca pelo nome tem mais chance de clicar num anúncio do que numa busca genérica, deixar esse espaço livre é abrir porta pro concorrente. É um dos pontos que pesa em como escolher um gestor de tráfego pago confiável, alguém que já enxergue esse tipo de detalhe
- Continue investindo na fundação técnica de SEO, porque é o filtro de confiança que toda IA generativa usa antes de decidir quem citar. Zero-click alto não é motivo pra abandonar SEO, é motivo pra fazer certo
- Acompanhe se já existe tráfego real vindo de IA generativa no seu Google Analytics (procure por um canal parecido com “Assistente de IA” ou “AI Assistant”). Se ainda não sabe se sua empresa é citada por ferramentas como o ChatGPT, veja o passo a passo da auditoria de IA aqui
- Não trate zero-click como um número único nacional. O próprio estudo mostra diferença de até 19 pontos entre mobile e desktop em países de língua inglesa, e quase nenhuma diferença na Ásia. O comportamento do seu público específico importa mais que a média global
Nenhum desses pontos é sorte. É o mesmo processo que já defendemos aqui: diagnóstico primeiro, ação depois. Se você quer estruturar isso com método, sem depender só de achismo, veja como a Tita Mkt Digital estrutura tráfego pago e orgânico com processo para gerar oportunidades comerciais reais.
Se o que você busca é justamente esse tipo de leitura de cenário completo, não execução isolada, vale entender o que caracteriza uma agência de marketing digital parceira estratégica pra PME.
Perguntas frequentes
O que é zero-click no Google?
Acontece quando a pessoa resolve a dúvida direto na página de resultado do Google, sem clicar em nenhum link, seja num resumo de IA, num painel de conhecimento ou numa resposta em destaque. Segundo o estudo da iPullRank, que analisou 13,1 bilhões de eventos de busca, isso já acontece em 46,96% das buscas feitas no Google.
Zero-click alto significa que o SEO morreu?
Não. O estudo mostra que 86% dos cliques que ainda acontecem no Google são de descoberta, achar um site que a pessoa não conhecia, e não navegação direta. Site com fundação técnica fraca perde essa disputa com ou sem zero-click, porque a base técnica continua sendo o que toda IA generativa avalia antes de decidir o que vai citar.
Por que o ChatGPT também tem cliques pagos vindos do Google?
Porque, hoje, o ChatGPT está entre os destinos mais buscados dentro do próprio Google, na sexta posição do ranking, e quase 5% desses cliques terminam em anúncio pago, a maior fatia entre os grandes destinos do estudo. Ou seja: a IA generativa não tirou espaço do Google, ela virou mais um destino de tráfego dentro dele, e a OpenAI paga por isso como qualquer outro anunciante.
Minha empresa pequena ou local precisa se preocupar com isso agora?
Precisa, principalmente porque o comportamento varia muito por tipo de busca e público. O estudo mostra diferenças grandes por país e faixa etária. O caminho mais seguro é acompanhar o comportamento real do seu próprio público (Search Console e Google Analytics) em vez de reagir só à média global.
Como sei se minha empresa já recebe tráfego de IA generativa?
Olhe se aparece um canal de tráfego separado no seu Google Analytics, geralmente identificado como “Assistente de IA” ou “AI Assistant”. Outra forma simples é perguntar direto pro ChatGPT ou pro Perplexity como se você fosse um cliente procurando seu tipo de serviço, e ver se sua empresa aparece na resposta. Tem um passo a passo completo de auditoria de IA aqui.


